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Ensinar o Desejo do Mar

Olá, gente…Sunset-on-the-sea_s

Uma das melhores formas de gerar capital social positivo parece passar pelo fomento da “ação propositada” que decorre de dois fatores.

O primeiro é o interesse pessoal, o querer – isto é, a noção clara do que se faz e porque se faz. O segundo é um forte sentimento de que a motivação é pessoal, intrínseca e da responsabilidade própria. A pessoa motiva-se. Não se motiva a pessoa.

Nesse sentido, pergunta-se:

Como podem as organizações e os seus líderes estimular a ação propositada dos colaboradores?

Ghoshal e Bruch apontam uma imagem de Antoine de Saint-Exupéry, o célebre escritor e aviador francês, autor de O Principezinho: “Se queres construir um navio, não mandes os homens para a floresta a cortar madeira, aplaná-la e juntar as placas. Em vez disso, ensina-lhes o desejo do mar.”

Nesta perspectiva, em vez de arranjar soluções prontas, os gestores e professores devem suscitar questões e desenhar visões apelativas, ou seja, aflorar o querer, o desejo do mar. Esse é o desafio!

Esse querer ou “o desejo do mar” pode ser desenvolvido de diversas maneiras.

-É necessário “dar espaço” às pessoas – para que elas criem interesses. Pessoas comandadas não têm escolha, não têm vontade (a não ser a de escapar ao controle!)

-É preciso, pois, que as instituições concedam liberdade de escolha às pessoas e que estas percebam que têm essa liberdade.

Cada um dos autores deste livro pode dispor-se a fechar-se em casa durante uma semana para terminar a obra. Mas o sentimento seria seguramente de grande raiva e desconforto se o nosso “patrão” nos obrigasse a permanecer em casa para fazer o mesmo trabalho. O que nos perturba não é “ficar fechado em casa” é “ser obrigado a ficar fechado em casa”.

-É necessário facultar às pessoas a possibilidade de lidarem com problemas difíceis ainda que situados dentro do seu limite de capacidades. Por regra, os problemas fáceis não são sedutores. As mentes e os corações das pessoas são ativados por desafios complicados.

-É importante que as pessoas tenham objetivos relevantes. É por essa razão que a organização deve clarificar o ponto que deseja atingir. E deve fazê-lo de uma forma que seduza os seus membros. É provável que, para isso, necessite de envolver as pessoas na determinação desse mesmo objetivo.

Quando o desafio é complexo e o objetivo partilhado, é mais provável que o esforço coletivo se sobreponha ao individual. O “nosso” trabalho passa a ser mais importante do que o “meu” trabalho.

In Cunha, Rego e Cunha (2007). Organizações Positivas, Lisboa: Dom Quixote – Portugal.

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Postado por Michel Assali