Situações em que as provas podem sabotar o trabalho do professor

Olá, gente…student_test

Pedagogicamente, o objetivo da avaliação é fornecer um conjunto de dados que contribuam para a contínua revisão do planejamento educacional. Ou seja, verificar se o planejado está atingindo os objetivos propostos, e ou, a necessidade de intervir corrigindo e ajustando o plano.

Considerando que uma prova nada mais é que uma coleta e a análise de dados, que por sua vez, são instrumentos passíveis de imperfeições, os cuidados com o processo devem ser redobrados para que o professor possa agir coerentemente com o sua proposta de ensino.

Sabemos que essa tarefa não é tão fácil assim.

Há que se considerar uma série de variáveis como, a rotina do trabalho, a carga horária diária, os compromissos familiares e sociais, etc., que podem esgotar física e mentalmente o professor e sabotar seu trabalho.

Portanto, os cuidados com a coleta, análise e interpretação dos dados para a avaliação, prescindem de um bom plano, atenção e trabalho docente individual e colaborativo para a uma proposição de intervenções adequadas e eficazes.

Foram selecionados abaixo, alguns aspectos da prática avaliativa que podem sabotar o processo educativo e fazer sentir que o trabalho docente não foi eficaz.

Vejamos:

– Instrumentos de coleta de dados ruins.
Provas escritas, objetivas ou dissertativas, projetos, etc., com baixa capacidade em revelar o que o aluno entende sobre o conteúdo ou que habilidades relevantes foram desenvolvidas. Se um percentual considerável não sai bem numa determinada prova ou num dos itens, cabe uma revisão do instrumento aplicado ou do trabalho docente realizado.

– As análises e inferências baseadas nos dados são errôneas ou “pobres”.
Mesmo com um instrumento bem elaborado, se a análise e interpretação dos resultados obtidos não sejam embasados em teorias pedagógicas de aprendizagem e o próprio planejamento, os dados terão pouca ou nenhuma utilidade para a avaliação. O resultado será sempre desastroso, camuflando muitas vezes as reais necessidades e prejudicando as intervenções adequadas.

– Longo tempo entre uma coleta (prova) e outra.
Acompanhar a aprendizagem exige o uso de instrumentos de coleta que possam ser aplicados num menor espaço de tempo. Esperar um bimestre ou um trimestre para emitir um parecer sobre o desempenho do aluno pode prejudicar o acompanhamento do processo e as intervenções para corrigir dificuldades.

Em um clima de avaliação contínua, cada prova (teste, mapa conceitual, desenho, conversa, observação, etc.) oferece uma “foto instantânea” do que o aluno parece ou está entendendo.  Mas se essas avaliações são pouco frequentes, as oportunidades para demonstrar o progresso e domínio são limitadas. Quanto mais frequente a avaliação, maior a possibilidade superação de dificuldades, melhor qualidade de ensino oferecido. 

– Instrumentos (provas) fora de época.
Uma prova correta no momento errado é avaliação errada. Em um ambiente ideal, a prova deverá atender ao conteúdo certo no momento certo.

Este é um desafio em um ambiente de escola pública onde os professores atuam  com uma carga horária esmagadora, inviabilizando uma frequência de elaboração de instrumentos, considerando que a preparação de qualquer prova exige tempo e dedicação fora do expediente escolar.

– Pouca exigência de profundidade do conhecimento.
Cuidar para que o instrumento aplicado não seja superficial demais, mas exigir também do aluno níveis elevados de conhecimentos respeitando, logicamente, suas individualidades.

– Critérios e dados exclusivos do professor.
É de fundamental importância compartilhar e discutir os critérios de avaliação, as formas de coleta dos dados e análise dos mesmos, com os colegas de trabalho e superiores. Esses aspectos favorecem a crítica, responsabilidade e a segurança do processo de avaliação do professor e da instituição escolar. Difícil?

– Currículo inflexível que resiste à “absorção” de dados
Se o currículo é rigoroso e obedece a uma estrutura inflexível onde o registro da nota da prova é preponderante ao processo da aprendizagem, maiores serão as dificuldades para a absorção e utilização dos instrumentos de coleta de dados para uma avaliação coerente. Convém rever tais conceitos na instituição.

– Excesso de dados. 

Os extremos serão sempre inadequados. O excesso de dados pode levar ao “afogamento” do trabalho docente. Provas “quilométricas”, com enunciados que pedem as mesmas habilidades e competências, com certeza trarão mais confusão às analise dos mesmos. Imagine uma prova com 10 itens de adição para uma criança do 3º Ano. O aluno acerta cinco e erra cinco itens e tem nota 5,0. Pergunta-se: O aluno sabe ou não sabe adição?

Excesso de dados é tão pior quanto nenhum dado.

Você tem mais sugestões a contribuir?

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Postado por Michel Assali

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